Março 2014 – O balão intragástrico funciona?

Data de realização: 10/03/2014

 

O balão intragástrico funciona?

 

Na segunda reunião científica de 2014, especialistas da Sobed-MG  debatem sobre a utilização do balão intragástrico e seus reais benefícios

 

Quando implantar o balão? Tem algum IMC indicado? Qual a perda de peso médio? E a curto e em longo prazo, quais são os dados que comprovam a eficácia do método? Esses e outros questionamentos foram levantados durante a reunião científica, do dia 10 de março, na sede da Associação Médica de Minas Gerais. Na ocasião, o Dr. Dewey José Guimarães, endoscopista da clínica Endogastro, tirou as dúvidas dos associados e ressaltou a importância da disciplina alimentar e do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para a obtenção de bons resultados. “O balão intragástrico é um método que com certeza ajuda na perda de peso, entretanto, o sucesso do tratamento depende do comprometimento do paciente e do apoio de uma equipe focada. De nada adianta a colocação, sem uma dieta saudável e um controle médico periódico”, disse.

No currículo do Dr. Dewey estão mais de 850 implantações de balões intragástricos e experiências diversas quanto ao alcance de resultados; desde aquelas pessoas que emagreceram muito àquelas que não perderam nenhum quilo. De acordo com o especialista, o balão é feito de silicone e fica alojado no estômago do paciente por um período médio de seis meses. “Quando o IMC do indivíduo é igual ou maior a 27 a colocação já pode ser considerada, tanto para homem quanto para mulher. A idade para a implantação varia dos 14 aos 68 anos e a perda média de peso gira em torno de 20% do peso total”, explicou o médico.

Tipos de balão

Segundo o endoscopista, existem dois tipos de balões: o de ar e o liquido. E este último leva vantagem sob o outro, já que é preenchido com soro e possui um corante azul que mostra claramente quando ocorrem alterações; o que facilita o controle do paciente e do médico. “Caso o balão se rompa, a urina sai azul. Isso representa um alarme; o que precisa ser feito é a retirada do balão. Além do alerta do corante, o balão líquido também é muito mais fácil de ser retirado”, completou Dr. Dewey.

Resultados

Durante a reunião, o debatedor Dr. Jairo Alves, médico do Instituto Alfa, e o moderador Dr. Luiz Cláudio Miranda, especialista do hospital MaterDei, também contribuíram com experiências e estudos sobre o tema. Uma revisão literária sobre o uso do balão intragástrico foi apresentada, e o Dr. Jairo Alves fez uma revelação: “Quando comecei a entender sobre o método, achei tudo muito interessante. Contudo, meus casos não conseguiram reproduzir o que a literatura falava, o que me deixou muito frustrado”, enfatizou.

Aproveitando a brecha em relação à eficácia do método, os associados da Sobed-MG questionaram sobre os benefícios da colocação do balão tanto a curto quanto em longo prazo. De acordo com os estudos apresentados, dois anos e meio após a retirada do balão, 25% dos pacientes mantiveram a perda de peso. E no prazo de cinco anos, quase 80% haviam recuperado os quilos e as medidas anteriores à implantação do balão. “O balão é uma técnica restritiva de perda de peso que pode ser repetida. Em curto prazo o resultado é positivo e, inclusive, já tive um caso que coloquei o balão duas vezes em um mesmo paciente. Na primeira vez, ele perdeu seis quilos e na segunda mais seis. Todavia, desconheço estudos que abordem a evolução do paciente em longo prazo” argumentou Dr. Dewey.

O especialista ainda enfatizou que não existe nenhum tratamento que ao passar do tempo seja melhor do que a cirurgia, no entanto, deixou claro que, por ser temporária, a colocação do balão tem sim seus benefícios e utilidades, principalmente quando o paciente tem contraindicação para operação.

Local do evento: Associação Médica de Minas Gerais