Abril 2014 – Miotomia para tratamento da acalásia (vídeo-aula)

Data de realização: 07/04/2014

Miotomia endoscópica no tratamento da acalásia é tema da terceira reunião da SOBED-MG de 2014

Médicos se reúnem na Pizzaria 68 para palestra do médico pernambucano Dr. Antônio Carlos Coelho Conrado

Com o objetivo de discutir a respeito de um novo procedimento endoscópico para o tratamento da acalásia, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Estadual Minas Gerais (SOBED-MG), realizou, no dia 07/04, a terceira reunião científica do ano de 2014, tendo como palestrante convidado o Dr. Antônio Carlos Coelho Conrado, endoscopista do Hospital da Restauração (Recife/PE). O especialista tem experiência no procedimento chamado Miotomia Endoscópica Peroral (POEM – peroral endoscopic myotomy) trazido para o Brasil em 2011.

Estiveram envolvidos no estudo apresentado, o Serviço de Endoscopia do Hospital da Restauração de PE, o Departamento de Motilidade do Serviço de Endoscopia do Instituto do Fígado de PE (IFPE)- Hospital Oswaldo Cruz e a Casa de chagas do Pronto-Socorro Cardiológico de PE (PROCAPE).

A doença e o procedimento clínico

A acalásia é uma doença do esôfago que se caracteriza pela ausência de contrações musculares coordenadas e pela falta de relaxamento que afeta o mecanismo de funcionamento da cárdia (esfíncter esofágico inferior), dificultando a passagem dos alimentos do esôfago para o estômago. Já a Miotomia Endoscópica Peroral consiste em seccionar a muscular própria do esôfago através de um túnel criado na camada submucosa. De acordo com Dr. Antônio Carlos, esse é um procedimento complexo, que somente deve ser realizado por profissionais treinados e que tenham larga experiência com dissecção endoscópica de submucosa. Em média, o procedimento dura cerca de 50 a 60 minutos, caso não ocorra intercorrências.

A primeira miotomia cirúrgica realizada, segundo Dr. Conrado, foi feita em 1913 por Heller. Entretanto, foi em 1980 que Ortega  realizou, com sucesso, 17 miotomias endoscópicas com secção de todos os planos da junção esofagogástrica. O POEM foi desenvolvido experimentalmente por Pasricha e colaboradores, radicado nos EUA em 2007, em um modelo suíno. Todavia, foi em 2008 que o Dr. Haruhiro Inoue do Japão realizou as primeiras miotomias endoscópicas em humanos.

Dr. Conrado explica que, na realidade, a cirurgia padrão para o tratamento da acalásia é a Cirurgia de Heller, mas que ela requer, posteriormente, a realização de um procedimento antirrefluxo para que seja bem sucedida. Para o POEM é desnecessário confeccionar essa válvula cirúrgica e os resultados preliminares demonstram que o risco de refluxo gastroesofágico, após o POEM, parece ser muito baixo. “A evolução é fantástica, o paciente acorda e vai direto para a enfermaria com o seu problema resolvido. Inicia-se uma dieta líquida que logo progride para a pastosa e depois o paciente já está apto a receber alta hospitalar”, diz. O médico acrescenta que esse é um procedimento que se torna mais barato do que a cirurgia laparoscópica. Em Belo Horizonte, o Setor de Endoscopia do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG foi o pioneiro na implantação desse procedimento, que já vem sendo realizado em dois pacientes e com um protocolo de investigação atualmente em andamento.

Indicações

De acordo com Dr. Conrado, a cirurgia é indicada para todo paciente que tem a acalasia, ou seja, a falta de relaxamento muscular que tem como consequência o megaesôfago. Com a utilização da nova técnica, o médico confirma o sucesso do procedimento. “O resultado é excelente. Em todos os pacientes eu tenho feito toda a investigação pré-operatória, ou seja, eles fazem endoscopia, manometria, esofagograma e a escala de disfagia que é preconizada pela ONU e 3 meses depois a resposta é muito boa e estimuladora. Miotomia endoscópica (POEM) tem o potencial para tornar-se o tratamento padrão das alterações motoras do esôfago”, afirma.

Local do evento: Pizzaria 68 – Rua Felipe dos Santos, 68, Lourdes.
Site do evento: clique aqui