Sífilis Gástrica

Artigo por Dr. Igor Nolasco Segheto em 04/07/2016

Residente: Dr. Igor Nolasco Segheto

Hospital: Ipsemg

Preceptores: Walton Albuquerque, Itiberê Pessoa e Enilce de Oliveira

CASO:

Paciente A.J.O.S. , sexo feminino, 45 anos, deu entrada no serviço do IPSEMG para realização de EDA destinada a investigação de quadro de desconforto em região epigástrica e perda ponderal de 4 Kg nos últimos dois meses. Portadora de dislipidemia e asma, em uso de sinvastatina e fluoxetina. Não haviam alterações relevantes ao exame físico. EDA evidenciou mucosa nodulosa, friável, com pequenas ulcerações serpinginosas em pequena curvatura, e lesões numulares em grande curvatura, com elasticidade da parede preservada. Anatomopatológico mostrou leve infiltrado inflamatório de células mononucleares, com PMN de permeio na lâmina própria da mucosa, e pesquisa de H.pylori negativa. Posteriormente, a paciente foi submetida a nova EDA, cujo anatomopatológico se mostrou inalterado em relação ao anterior, exceto pela positividade na pesquisa de H.pylori. A partir deste dado, o diagnóstigo diferencial incluía, principalmente, Linfoma MALT e sífilis gástrica, entretanto um exame sorológico positivo para VDRL em títulos 1: 4096 e FTA-Abs reagente, definiu o diagnósico. O primeiro caso de sífilis gástrica confirmado por histologia foi descrito em 1922 por Graham. Sabe-se hoje que é uma doença rara, cujo diagnóstico pode ser confirmado por exames sorológicos não treponêmicos (VDRL) ou treponêmicos ( FTA-Abs) e análise histológica por imunohistoquímica ou análise de biópsia a fresco em campo escuro. O tratamento de escolha é a penicilina benzatina e por ser considerada uma manifestação da sífilis secundária a dose recomendada é 2400000 UI/ semana durante duas semanas. O prognóstico é muito bom, com remissão completa das lesões após o tratamento.

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