Estenostomia e dilatação endoscópica em pós-operatório de Gastroplastia redutora a Sleeve
Artigo por Dra. Isadora P. Pignaton em 06/03/2017

Residente: Dra. Isadora P. Pignaton 

Hospital: Hospital Life Center

Preceptores: Dr. Wander Campos Marcos

CASO:

Paciente do sexo feminino, 36 anos, previamente hipertensa, 60º dia de pós-operatório de Gastroplastia redutora do tipo Sleeve. Deu entrada pelo pronto atendimento do hospital com queixa de dor abdominal em hipocôndrio esquerdo, de moderada intensidade, associada a febre baixa e intolerância alimentar com dificuldades para progredir a dieta devido a vômitos incoercíveis. Tomografia de abdome evidenciou coleção no hipocôndrio e flanco esquerdos. Submetida a drenagem percutânea com colocação de dreno no sítio de punção. À Endoscopia digestiva alta foi identificado orifício na linha de sutura proximal, junto a transição esofagogástrica, compatível com orifício fistuloso. Procedida passagem de Sonda nasoenteral para nutrição, sob endoscopia. Nova EDA de controle, 15 dias após, evidenciou persistência da fístula, com inúmeros septos e aparente redução da luz do estômago. Programada abordagem endoscópica com proposta de estenostomia e dilatação da estenose. Ao procedimento foi observado estreitamento significativo da luz gástrica associado a patência da fístula. Com auxílio de cateter pré-corte, tipo knife, foram realizadas lises dos septos com corrente de coagulação. Posteriormente realizada dilatação da estenose gástrica com balão pneumático de 30mm, até a pressão máxima de 20psi. Houve sangramento autolimitado após a dilatação. Realizada passagem de nova SNE sob endoscopia, com posicionamento pós-pilórico. Ato sem intercorrências. Mantida em uso de IBP dose plena durante a internação e recebeu alta em uso da medicação. Evoluiu sem intercorrências, com regressão progressiva do débito do dreno abdominal nos primeiros dias.

Contudo, retornou para nova endoscopia de controle, 30 dias após o procedimento, com débito do dreno abdominal mantido e severa intolerância alimentar. Foi observada patência da fístula na linha de sutura e manutenção do estreitamento do lúmen gástrico. Foi encaminhada para tratamento cirúrgico definitivo.

Com a lise endoscópica dos septos o objetivo principal foi otimizar o fluxo para a luz gástrica, evitando acúmulo de secreções próximas a fístula obtendo-se adequado escoamento para o sentido do fluxo principal. Dilatando-se a área estenosada obtivemos retificação do lúmen gástrico e diâmetro adequado para o fluxo livre de líquidos, reduzindo assim o débito da fístula almejando o fechamento progressivo do orifício.

 

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